15 de novembro de 2008

Rompendo o "silêncio"...



Eu já sabia que ia ser díficil manter uma frequência de postagem neste blog, mas não esperava que fosse ser tão relapso assim.

Parece que ainda vai ficar assim hoje, porque não está vindo idéia alguma pra comentar aqui.
Ah, apareceu! Cordel e mídia!

Este tema chegou agora ao lembrar que nesta semana fui procurado por quatro diferentes veículos informativos com interesse na poesia popular nordestina: 1º- O Programa Papo de Boteco, que exibirá neste sábado, dia 15/11, na TV Nova (Canal 22) uma entrevista comigo, Susana Morais e Vinícius Gregório; 2º- A Revista Lupa, produzida pelos alunos da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA); que me entrevistou por email; 3º - Por email também fui entrevistado para o jornal eletrônico da Associação dos Funcionários do BNB (AFBNB); 4º- A TV Viva buscou a minha intervenção para arregimentar uma tropa de cordelistas para gravar vinhetas para uma série de programas musicais a ser exibida em nivel nacional.

Talvez seja pressunção minha ou ingeunidade, mas penso que tais fatos não aconteciam com tamanha frequência e amplitude, representando assim, um novo momento, favorável e promissor, também ao cordel, como, de resto, vem acontecendo com outras expressões da cultura popular.

Uma nova geração está aí antenada e receptiva ao que de tradicional e atávico resiste ao rolo compressor das culturas de massa. Algo me diz que a minha geração foi apática neste sentido. O que vinha do povo pouco era mostrado, e quando assim era feito, tratado como exótico, "folclórico", coisa do passado, de museu, de gente analfabeta e ignorante. Nos meus anos de escola nunca ouvi falar de cordel ou de repentista. Nos livro didáticos nenhuma referências aos ícones da poesia popular (se bem que até hoje esse débito ainda existe. O que já se vê são algumas raras citações, registro de sua existência, mas nada que mostre a sua relevância como elemento da nossa formação cultural).

Mas o futuro é promissor. Acabo de tomar conhecimento que o Ministério da Educação (através do Programa Nacional de Biblioteca Escolar-PNBE) incluiu cinco cordéis entre as obras indicadas. Ei-los: 1-A Ambição de Macbeth (Arievaldo Viana); 2- A Megera Domada (Marco Haurelio); 3- Os Miseráveis (Klévisson Viana); 4- O Corcunda de Notre Dame (João Gomes de Sá); e 5- O Mundo do Cordel (Moreira de Acopiara).

Parabéns aos poetas contemplados! Vamos divulgar essa ação para que novos títulos sejam incluídos nas próximas edições.

31 de julho de 2008

Pra não passar batido!

Mês de julho está terminando e nenhuma postagem até agora. Desculpas teria várias. Nenhuma muito convincente. Melhor confessar que relaxei e deixei o blogue em segundo plano esses dias. E os versos também. Estive envolvido com as ações da Unicordel na Fenearte, na Festa de Taquaritinga e no Festival de Inverno de Garanhuns. O pré, o durante e o depois. Andei também cuidando do meu sítio aqui na internet, que deverá ser inaugurado nos próximos dias.
Versos novos, quase nenhum. Acho que só uma setilha que fiz tirando onda com minha grande amiga e pareia, Susana Morais, cordelista de primeira e agora economiária. Dediquei-lhe estes irônicos versos, que brincadeira à parte, representam a alegria compartilhada por essa sua nova conquista, a convocação para a Caixa Econômica Federal. Ei-los:

Susana vai para a Caixa
Nossa alegria eu não nego
Para parabenizá-la
nestes meus versos me apego
Eu que pensava que ela
Só iria à caixa-prego.

(Versos "feitos nas coxas" e declamados durante a farra bebemorativa do seu novo emprego)

2 de junho de 2008

As putas que nós parimos

Dizem que ela é a mais
Antiga das profissões
Talvez nisso se exagere
Por desfocadas visões
Ou pra dizer que faz parte
Das sociais relações.

Importa pouco saber
Há quanto tempo ela existe
Pois no terceiro milênio
Ela com força resiste
E da forma como é feita
É fato cruel e triste.

Se há quem preste o serviço
Da concessão do prazer
É porque há quem procure
Para se satisfazer
E se disponha a pagar
Para o prazer obter.

Um prazer que não precisa
De paga para se tê-lo
No entanto o moralismo
Criou o tabu do selo
Disse isso pode, isso não
Deu-se aí o desmantelo.

A mulher ficou tolhida
De exercer a natureza
Conforme fosse o desejo
E por isso ficou presa
Ora à rainha do lar
Ora à deusa ou à princesa.

E aquelas que transgrediram
Encarnaram o lado ruim
Na fogueira ou sob pedras
Deram-lhe tristonho fim
Como aviso para as outras
Não façam também assim.

E não sendo a morte física
Vinha o castigo moral
E tratadas com desdém
Como estorvo social
Com seus direitos tolhidos
Pelo poder estatal.

No entanto não se fala
Da outra parte envolvida
O homem que vai atrás
Do que faz a “pervertida”
Pois tem coisas que são só
Para as “mulheres da vida”.

E com esse pensamento
A humanidade seguiu
No falso puritanismo
Deixando a mulher servil
E para o prazer do homem
A classe puta pariu.

E paridas como párias
Levam vida dividida
Lembram alegria, prazer
Numa existência sofrida:
Humilhação, violência
Auto-estima combalida.

Exploradas, perseguidas
Expondo o corpo nas ruas
Tentando encontrar quem queira
Se valer das carnes suas
Ou nas casas de recursos
Qual a menos ruim das duas?

E se muitos casamentos
Por elas foram rompidos
Certamente muitos outros
Conseguiram ser mantidos
Graças aos serviços prestados
A alguns desses maridos.

Há quem entra nesse ofício
Por simples gosto, vontade
Mas a grande maioria
O fez por necessidade
Levada à força por conta
Desta vil sociedade.

Às vezes de casa expulsa
Por perder a virgindade
Por estupro incestuoso
Outra vil fatalidade
Muitas também pela fome
Por passar necessidade.

Vão assim prostituídas
Buscar a sobrevivência
Em lugares insalubres
À mercê da violência
De cafetões e clientes
Sem piedade ou clemência.

Sujeitando-se a doenças
E também à exploração
Sacrificando a família
Sofrendo perseguição
Ás vezes se escravizando
Sem ter qualquer opção.

E fica à margem da lei
Exercendo tal ofício
Dos amparos sociais
Não recebe benefício
E assim pra se manter
Usa de todo artifício.

O vinho, a cama, o prazer
Momentâneas fantasias
Os prazeres sem limites
Das farras e das orgias
São só uma das faces
Do que acontece em seus dias.

Junho/2008

17 de maio de 2008



Dia desses conheci uma jovem nascida em Carpina (A Floresta dos Leões), porém radicada no Recife há alguns anos. Ao saber do meu envolvimento com o cordel disse-me que aprendeu a gostar dessa poesia popular por intermédio dos seus professores. Conversa vai, conversa vem, acabamos por nos apresentar e ela revelou seu nome: Camila Cristina. Perguntei-lhe como costumavam lhe chamar ao que respondeu: - Camila, Cristina, Tina, Mila. Qualquer um que chamar eu respondo. Mas escolha um apenas. Feita a escolha, não pode mudar.
Disse-lhe que como poeta gosto de explorar a sonoridade das palavras e pedi-lhe uma exceção. Mas mulher é bicho danado, cheio de nove horas, então ela me disse que só faria tal concessão se eu mostrasse que valeria a pena. O jeito foi usar a arma que trago comigo (a poesia) e fiz-lhe estes versos:

CAMILA lembra a Pitanga
E da fruta o bom sabor
CRISTINA me lembra Cristo
Deste mundo o Salvador
TINA me lembra Rolo
MILA vai entrar de bolo
Vou ter exceção, amor?

Obtive a permissão para usar mais de uma alternativa, e mais que isso, descobri que a garota também leva jeito para os versos, pois o pouco de pé-quebrado que aparece na estrofe que ela me mandou revela apenas que ainda não foi alertada para os rigores da métrica do cordel tradicional. Eis a sua resposta:
Depois desse versinho
não tem como não conceder
uma pequena exceção
ao cara que acabo de conhecer,
que demonstra que é poeta,
que escreve na dose certa
e que fez por merecer.

Valeu, amiguinha Cris!
Beleza, Tina!
Muito massa, Mila!
Coisa boa,Cristina!
É isso aí, Mila!
Vamos em frente Camila!

5 de maio de 2008

Aniversário da Unicordel


CidaPedrosa declamando (Foto João Campos)

26 de abril de 2008

Interior de hoje em dia ou A Peleja do Créu com o Forró!

"Isso é cagado e cuspido/paisagem do interior" - Jessier Quirino

(Para Alberto Oliveira, Anselmo Alves, Saulo Gomes e Xico Bezerra)

No lugar onde eu resido
Cadeado inda é tramela
Não é tão evoluído
Mas já se assiste novela
E também telejornal
Por lá se toma nescau
Mas bom é leite de vaca
Lá se come sanduíche
E se diz oxente e vixe
E se enfia o pé na jaca.

Zona é coisa do passado
Não se vê mais cabarés
O serviço hoje é prestado
Lá nos quartos dos motéis
Que ficam na rodovia
Se prestam para a orgia
E pro namoro em segredo
Quem não tem o "faz-me-rir"
Só resta se divertir
No matagal e lajedo.

Moleque lá faz mandado
Temendo o cuspe no chão
Mas celular é usado
E de última geração
Muitos costumes mudaram
Pra melhor ou pioraram
Mãe solteira hoje é normal
E ninguém se escandaliza
Com o que o povo realiza
No plano sexual.

E por lá tem parabólica
Que leva o mundo até nós
E tem a turma católica
Tal qual a nossos avós
Devota de Padim Ciço
Quem não gosta muito disso
É a Igreja Glacial
Que não engole romeiro
Mistura fé com dinheiro
E Jesus com capital.

Ouve-se a trova brejeira
Do mestre Chico Pedrosa
Mas se dança a noite inteira
Com a Gatinha Manhosa
Mastigo cravo e chiclete
E essa tal de internet
Pra mim não é novidade
Que espanto não lhe cause
Mas sempre vou na lanrause
Quando visito a cidade.

No natal o mercantil
Sufocou a cristandade
Mas inda há pastoril
Em uma ou outra cidade
Da mesma forma o reisado
Ou algum presépio armado
Lembrando que o Menino
É o motivo da festa
Isso é coisa que ainda resta
No natal do nordestino.

Crianças vão à escola
Menos no tempo de inverno
Pois até trator se atola
E pra passar é um inferno
Já para a agricultura
É uma beleza pura
De verde o campo se cobre
Plantio de rico se irriga
Mas a seca inda castiga
A roça do homem pobre.

Inda se tange boiada
Em um cavalo montado
Porém a moto é usada
Também pra cuidar do gado
Pro trampo botina calço
Pro lazer um "naique"
falso
Nos meus pés eu logo enfio
Se agarro uma gatinha
Já uso até camisinha
Pois na sorte eu não confio.

Vaqueiro veste gibão
Com roupa que vem da China
Padeiro fabrica o pão
Com trigo da Argentina
Interior não se isola
Escuta o som da viola
E o verso do cordelista
O forró de pé-de-bode
Mas também axé, pagode
E até fanque entra na lista.

Tem muita festa animada
Pelos herdeiros do Rei
Porém parte da moçada
Só quer o som
do djidjei (DJ)
Lampião inda é herói
Pois foi o nosso caubói
Embora rei dos bandidos
Hoje herói tem de montão
Nesses filmes do Japão
Ou dos Estados Unidos.

O tigrão e a lacraia
Do jeito que vêm se vão
Mas duvido alguém dar vaia
Pras músicas de Gonzagão
Pode até não se gostar
Mas se sabe respeitar
Reconhecer o valor
Que venham Jamil, Chiclete
A Cláudia Leite, a Ivete
Venha lá seja quem for.

Até Mulher Melancia
Vindo virada no créu
Mostrando a lapa da jia
Não derruba Maciel
Nem Petrúcio, nem Santana
E pá de gente bacana
Do forró de pé-de-serra
Que vá praquele lugar
A calcinha, o caviar
Que a gente vence essa guerra.

Recife, Abril/2008

19 de abril de 2008

7º Festival Nordestino de Poetas Populares

















Estátua do poeta Cego Aderaldo (Quixadá-CE) Foto: Zoraia Nunes

Após assistir na noite deste sábado, 19/04, dia do índio e do aniversário do poeta Manoel Bandeira, a apresentação dos participantes do 7º Fenopop - Festival Nordestino de Poetas Populares, no majestoso Teatro Santa Isabel, onde me embriaguei com generosas doses de poesia servidas por Zé Laurentino, Raudênio Lima, Diomedes Marianho, Marinho, Chico Pedrosa e a danadinha da Vassula, além do porre de improviso provocado pelo abstêmio Ivanildo Vilanova e pelo magistral Sebastião Dias, só consegui dormir depois que joguei pra fora os versos abaixo, que estavam avulsamente martelando no meu juízo e que talvez me dessem insônia ou ressaca se não fossem regurgitados.

La vão eles:

O mundo se empalidece
Com tanta notícia ruim
Tanta desgraça acontece
Porque a vida é assim?

Por mais que se faça prece
Pra Javé ou Elohim
A todo instante aparece
Novo herdeiro de Caim.

Chafurdando, a humanidade,
Na lama da iniqüidade
Se perde no desamor

Quando mais o tempo avança
Mais se vai a esperança
Que tenha fim toda dor.

*************************

Ser poeta... é ir bem mais além
Do domínio da métrica e da rima
Exprimir-se de um jeito que ninguém
Além desse poeta assim se exprima.

Enxergar de um modo nunca visto
Descrever de uma forma especial
Surpreendendo assim com o imprevisto
Sobre algo já batido e até banal.

É contar a mesma história milenar
Porém por um ângulo peculiar
Que nos faça dizer: - Eita poeta!

Eu não sei se um dia assim farei
Mas eu tento, eu tento e tentarei
Pois chegar perto disso é minha meta.

24 de fevereiro de 2008

Recomeçando...

Criei aqui este outro espaço para arranchar meus escritos a partir de agora. O que foi postado antes permanece lá no endereço anterior. Quem quiser ver as postagens antigas basta clicar aqui.

7 de fevereiro de 2008

Cordel em Folia- 26/01/08




"O verso sai do papel
porque já é fantasia
se junta ao frevo e ao povo
eis o Cordel em Folia
cordelizando a cidade
com muita garra e vontade
trazendo nova energia."

Momentos da prévia do Cordel em Folia, realizada em conjunto com a Troça da Besta Fubana, no Mercado da Boa Vista, em 26-01-08

6 de fevereiro de 2008

PROMESSAS E DESEJOS


Foto: Alexandre Severo (JC Imagem)

Agora que o frevo dá trégua
Voltarei aos projetos
(Meus e alheios)
Concluirei os cordéis inacabados
Darei atenção a quem me é mais chegado
Pedirei desculpas
Matarei saudades
Tentarei recompor o que sobrou da folia.

Daqui a alguns dias
Serei, de fato, mais um guerreiro do passo
Cuidarei da troça
Traçarei mil planos
E antes que se faça um ano...

Espero estar de novo
na mesma euforia
Dos dias recentes
Revendo e fazendo amigos
Achando o dia curto e querendo ficar
Vinte e quatro horas no ar
Tostando-me no Galo
Zanzando por Olinda
Entregando-me ao au(l)to-sacrifício de Ceroula
Procurando desesperadamente por Patuscos
Baquenambuco, Alafim e Flor da Lira
Fazendo ponto na Bodega de Veio
Tomando axé de fala e cerveja
Cantando forró no Tanajura
Dançando coco e ciranda em plena Prudente
Indo atrás dos Gigantes
Dando pinotes e fazendo tesouras
Cantarolando vezes infindas:
“- Olinda, quero cantar
a ti, esta canção...”
“morena tome cana
que a cerveja acabou
ô,ô,ô!”
“Ei, pessoal
Ei, moçada...”
“popopopopopopó
popopopopopopó
popopopopopopó
popopopopopopó”

-Recife, manhã de sol da quarta (06/02/08) -

SILÊNCIO DE CINZAS


Bonecos no Galo da Madrugada (02/02/08)-Foto de Sebastião Aquino

O dia amanheceu belo de sol
E um silêncio de cinzas anuncia
Que a vida recomeça
O estandarte já repousa em seu canto
A máscara colorida enfeita a parede
E a sala ainda repleta
De sinais da folia:
A sombrinha que sobreviveu aos acoites dos passos
A carteira vazia
O tênis carcomido e sujo
O protetor solar ou o que dele resta
Chapéus com resquícios de talco e confetes.

O corpo também guarda lembranças:
Bronze do sol do galo e de Olinda
Pés inchados dos périplos e paradas
Braços doloridos de Ceroula e Patuscos

N´alma, a melancolia de sempre
Talvez por ser tão efêmera a alegria
Ou pela frustração do que deixou ser feito.
Inda bem que perduram as prazerosas lembranças
Dos desejos satisfeitos
Dos inesperados encontros e outros nem tantos
E das sementes plantadas em plena frevura.

( Manha da quarta-feira, 06 de frevereiro de 2008)

7 de janeiro de 2008

Folias de Reis

Dia de Reis no Recife. Queima da lapinha encerrando o ciclo natalino e dando início oficioso aos festejos de Momo. A palha dos presépios pegando fogo e Olinda também. As pastoras cantam suas últimas jornadas e as orquestras tomam conta das ruas. Os batuqueiros, idem.

Pastoris, bumba-meu-boi, cavalo-marinho, marujada, calumbi, nau catarineta, reisados, guerreiros e folia-de-reis são algumas das expressões da cultura popular típicas dessa época, espalhadas por esse Brasil afora. Umas ainda ativas, outras sobrevivendo a muito custo, algumas já fazendo parte apenas das lembranças dos mais antigos. E foi pensando nesses folgazões, nos foliões em geral, que escrevi o poema a seguir.

Folias de Reis (inclusive Momo)

Senhores donos da casa
Dão licença de entrar
A bandeira e os foliões
Pra na sala vadiar
Santos reis do Oriente
Nós viemos aqui saudar
Pinga em nós, ô coisa boa
Porco no tacho, ô iaiá!
Isso é coisa do passado
Que não se pôde apagar
Nas lembranças da guria
Princesa de Japurá
Que debaixo da bandeira
Quer novamente passar
Mas os foliões se foram
- Ô mamãe, me leva lá.

- Princesa, faço um convite
E espero que o acates:
Venha pra minha folia
Ela está em toda parte
Por aqui não há bandeira
Porém existe estandarte
Pode passar sob ele
E com isso, iniciar-te
Nessa folia de Momo
E a ela entregar-te
Há pinga aqui também
Ajudando a fazer arte
Tira-gosto de caju
Que em rodelas se parte
Tem cheiro de amor no ar
E gente querendo amar-te

Tem fantasias diversas
E quando a folia finda
Inda ficam focos dela
Pelas ladeiras de Olinda.


(Recife, 07 de janeiro de 2008.)