16 de maio de 2010

RECÍFERAS

(José Honório)

Admiródemaislungo
Chicocidapedrosamericofilosoul
Ivamarinhouçosempresempressa
Wilsonsfreirewassistoatônito
Silvasilvanalanguidamente
Naquintessênciadasquartas
Eeuviajonomeunicordelírio.

TREJEITÓRIA

(José Honório)

A terra está para os pés
tuberiforme alicerce.

As vozes dos ancestrais
ecoam vivas demais.

O futuro hoje me acena
sintoniza-o minha antena.

E assim, sem rumo certo
eu sigo por onde quero

ir, ouço minhas vontades,
só que as vezes chego tarde,

mas sendo este o meu tempo
é o mesmo contentamento.

As frutas de Pernambuco

(João Cabral de Melo Neto)

Pernambuco, tão masculino,
que agrediu tudo, de menino,

é capaz das frutas mais fêmeas
e da femeeza mais sedenta.

São ninfomaníacas, quase,
no dissolver-se, no entregar-se,

sem nada guardar-se, de puta.
Mesmo nas ácidas, o açúcar,

é tão carnal, grosso, de corpo,
de corpo para o corpo, o coito,

que mais na cama que na mesa
seria cômodo querê-las.

2 de abril de 2010

Bredo, quibebe, sangria e serra velho.


À mesa, o peixe, o feijão, o bredo, o quibebe. Tudo "de coco" como se diz por aqui. Também arroz, salada e peixe frito. Suco de limão e de uva. O primeiro espremido na hora, o segundo, industrializado, como industrializado foram os vinhos, um seco e outro suave, de mesa. Tomei dos dois, que não tenho preconceito, como tomaria também cerveja, cachaça ou outra bebida qualquer sem o menor remorso. Meu ritual é puramente gastronômico. Além do que gosto deste momentos pelo que eles trazem de peculiar, de singular, pela quebra da rotina, da mesmice.

Não houve sangria como na minha infância, feita com vinho (Sangue de Boi), água e açúcar. Era o ponche, o refresco, de todos. Homem, mulher e menino. Como era bom! Mas hoje, os tempos são outros e não se deve dar álcool à criança, foi o que me disseram. É, né? Então não está mais aqui quem falou! Mais uma tradição a ficar só na memória dos mais antigos e nos compêndios do folclore. Assim como quase não se malha mais o judas e nem mais se ouve falar em serrar velho, sórdido costume que, até algumas décadas atrás, na noite da quarta-feira da Semana Santa, tirava o sossego do povo de mais idade, principalmente dos mau humorados e criadores de caso. Esses eram as vítimas preferidas de grupos de galhofeiros, que, munidos de tábua e serrote, iam até a casa do "escolhido" para fazer barulho, anunciar-lhe a morte, lançar-lhe maus agouros, impropérios e ler seu "testamento". Como reação, podiam receber os mais hediondos palavrões, banho de mijo dormido, disparo de espingarda soca-soca, ou a mais indesejada das respostas: a indiferença e o silêncio.

Nunca vi velho algum sendo serrado - no meu tempo de menino já estava em desuso - mas uma vaga lembrança me deixa a impressão que naquele tempo eu tinha medo que um dia inventassem de serrar o meu avô. E quem tava doido!

Mudou a sociedade. Mudaram os costumes. Houve algum progresso na forma como se ver a velhice, embora ainda muito falte para que nossos idosos sejam tratados com toda a dignidade que lhe é devida. Quem hoje merece ser "serrado" é aquele que não respeita não somente o velho, mas os que lhes são diferentes nesse mosaico humano, construído nessa diversidade de gênero, idade, opção sexual, etnia, necessidades especiais, etc. Haja serrote!

Os tempos são outros. Uma dramatização dos últimos dias de Cristo em cada esquina. Algumas artesanais, outras com toda tecnologia. E mesmo o povo já sabendo o final, não deixa de assistir e se emocionar. E de achar graça de vez em quando, como nos contou meu sobrinho, Yank, que flagrou José "Cristo"Pimentel dançando o rebolation enquanto se preparava para a Ascensão. É que, nesta cena, em que o ator é elevado às alturas, Pimentel teve trabalho para encaixar o suporte que trás costas ao mecanismo que o suspende e o leva à apoteótica "subida aos céus". Tal embaraço, obrigou-o a se remexer de um jeito inusitado para tentar se encaixar, movimentação imperceptível ao grande público, mas que não deixou de ser vista pelos olhos curiosos do menino atento e crítico.

Esta foi a minha Sexta-Feira da Paixão. Mesa farta, família reunida, antigos contando história de serra velho, menino contando história de Cristo rebolando.

Amanhã haverá novo ritual por esse mundo afora. A farra do chocolate, que já aparece como tradição. Tradição imposta pelo comércio, sem passado próximo, sem histórias contada por nossos pais e avós, sem comunhão. Ainda bem que há quem dela tire proveito, além das(os) chocólatras e vendedores, como bem o fez minha amiga Inez Sodré, a mais pernambucana das cariocas que eu conheço, dançarina de forró e doida por um bolo de rolo, que, muito inspirada, escreveu este Desejo de Páscoa

Deixa eu pegar em você com mãos ávidas,
sentir a textura do que te embala...
Procurar com os dedos uma forma de desnudar-te,
para enfim ver-te assim...pronto prá mim.
Com essa cor morena,
com esse olhar derretido,
querendo como sempre brincar comigo.
Pedindo minha boca...querendo meus dentes...
Dou-te enfim um último olhar,
quase lânguido e sonhador...
Sinto que meu coração bate.....
E enfim.....
Tenho-te:
Ahhhhhhhhhhhhhhh Chocolate!!!!!!!!

30 de março de 2010

PSICORDÉLICO



Cordelista do presente
Não recita e nem declama
Faz é xou estandi-upi
Conquistando prêmio e fama
Planeja a sua carreira
Não monta "torda" na feira
Mas estande em bienais
Na net faz propaganda
Escreve sob demanda
Cuida das cordas vocais.
(José Honório)
29/03/10


27 de março de 2010

ACORDOU FELIZ

Ela acordou feliz. Nenhum motivo especial para isso. Não acertou na Mega-sena, não tirou dez na prova de ontem, pois prova não teve, não aceitou algum pedido de namoro, embora pedidos assim não lhe faltem, nem ganhou um antecipado presente de Páscoa. Mas ela acordou feliz. Ainda não eram sete horas e já estava com o som ligado, numa altura que não incomodasse o povo de casa, que ainda dormia, e nem os vizinhos sensíveis, mas o suficiente para dançar serelepe no meio da sala, ora embalada por Calaypso, ora por frevos vários, relembrando os "velhos carnavais" do mês passado. Jogou inúmeras vezes seus cabelos pra frente tal qual a Joelma idolatrada. Afastou o sofá, pegou a sombrinha e, toda sorridente, sapecou locomotivas e tramelas.

Era uma felicidade tão clandestina que até se espantou, demorando a entender que a gente nasceu pra ser feliz. Que felicidade não precisa de hora marcada e nem razão que a explique. E, caindo na real, continuou dançando todos os ritmos. Os conhecidos e os imaginários. E de tão feliz que estava, deu-se ao luxo de recusar a ida a um forrozinho, onde, se acaso tivesse ido, certamente iria espalhar essa felicidade gratuita no salão e entorno.

Era toda serotonina. No riso, no olhar, na pele, no corpo inteiro e além dele. Na alma, na aura, no espaço em sua volta. E assim ficou pra sempre na mente de quem a viu e há de sempre ser no desejo de quem lhe quer bem.




Passos e Passadas: QUEM NÃO PULA NESTA VIDA, PINOTA NA OUTRA...


Foto: Ericka Laís (2010)

Quem desavisadamente chega na esquina da Rua Oscar de Barros com a Avenida Norte, em Casa Amarela, populoso bairro da capital pernambucana, por certo se admira com o inusitado da inscrição que preenche quase toda a fachada daquela casa: Associação Grupo Cultural PAPA DEFUNTO. Difícil evitar o espanto ou o acesso de riso diante de uma funerária com tal nome tão bizarro e, ao mesmo tempo, tão apropriado.

Não foi este o meu caso, quando caminhava por lá na manhã de sábado, pois, de imediato, percebi que estava não somente defronte a uma criativa agência de serviços funerários, mas também diante da sede de uma tradicional troça carnavalesca, velha conhecida minha, que, sempre que se aproxima a meia-noite da quarta-feira de cinzas, passa pela rua onde eu moro com destino ao cemitério do bairro, tendo à frente um caixão com um "defunto" vivo dentro, e nesse seu cortejo nada fúnebre, puxado por trios elétricos, arrasta dezenas de foliões insaciáveis e mais resistentes que eu, a essas alturas, já morto, pelo cansaço das batalhas de frevos e sombrinhas.

Talvez seja esta uma das razões de ainda não ter me animado a sair de casa pra me juntar aos pândegos do Papa Defunto. Outra, deve ser o repertório dominante nos trios da troça, empestado de axés e suingueiras. Mas, como acabo de descobrir que já teve até a frevioca com a Orquestra de Mendes, bem capaz que no próximo carnaval eu vença a preguiça e caia na gandaia também. Mais ainda porque descobri que o inspirado Hino do Papa Defunto foi composto pelo companheiro Paulo Viola, que eu conheci nos encontros da UBE/PE-União Brasileira dos Escritores.

Esta troça fez-me lembrar de uma outra tradição do carnaval pernambucano, A Mulher da Sombrinha, que lá em Catende, cidade da zona da mata sul, anima os foliões na sexta-feira que antecede a semana precarnavalesca, concentrando-se no cemitério local e saindo em cortejo pelas ruas da cidade. À frente, uma boneca gigante, fazendo uma alusão à lendária figura feminina, que deu origem à troça, e, segundo os mais antigos, seduzia os trabalhadores da usina, fazendo-os segui-la até o campo santo, onde entrava e sumia misteriosamente por entre as catatumbas.

Como vemos, tanto na capital quanto no interior de Pernambuco, nem os que moram na cidade dos pés juntos ficam imunes à irreverência dos que gostam de brincar o carnaval.

Recife, 29 de março de 2010.

25 de março de 2010

Miolo de pote: Meu Batismo na Tanajura


O grande toró que caiu no Recife e adjacência de ontem pra hoje, acompanhado por relâmpagos e trovões, fez-me lembrar que nas primeiras chuvas do ano é que se dá a revoada das tanajuras, fazendo a festa da meninada e dos apreciadores desta exótica iguaria. Como uma coisa chama outra, foi inevitável nesta hora não vir à mente a minha mais predileta troça do carnaval olindense, uma agremiação criada há quase vinte anos por funcionários da Caixa Econômica Federal e que, numa opcional clandestinidade, não integra a programação oficial da folia olindense, mas marca presença nas ladeiras todo domingo de carnaval.

Um dos meus grandes achados no carnaval de Olinda foi a troça Tanajura com Farinha, que conheci graças ao meu amigo Sebastião Aquino, cunhado de Almir, um dos organizadores da agremiação. Foi um batismo histórico, a começar pelo pitu que levei de um pequeno ninja, jamis esquecido e que encabeça a lista das minhas desaventuras.

Pontualidade é uma palavra que não consta do dicionário dos blocos e troças, mas eu, como costumo fazer quando se trata de folia, cheguei no pátio do Mosteiro de São Bento, lugar da concentração, faltando alguns minutos para as dez horas. De foliões, quando ninguém, mas a kombi estava lá, estrategicamente posicionada, carregadinha de cerveja gelada (e refrigerantes também), com a moringa de caldinho e a sacola com a dita cuja mergulhada na farinha, amarelada pela manteiga. Não conhecendo ninguém e instropecto na minha timidez, resolvi esperar Tião e os outros amigos sentado na calçada, aproveitando uma nesga de sombra proporcionada pelo beiral de uma das casas.

Aos poucos os foliões da troça foram aparecendo. Chegou o estandarte, vieram os músicos. Após circular pelo pátio, um garoto que carregava a alegoria da agremiação, um varão de ferro encimado por uma tanajura de fibra de vidro (ou será de isopor?), veio também pegar carona na fatia de sombra e se posicionou junto a mim, segurando aquela incômoda geringonça. Permaneceu lá alguns minutos até que falou-me:

- Moço, o senhor podia segurar isso aqui enquanto eu vou ali procurar meu pai?

Solícito, como sempre procuro ser, fui solidário e me dispus a segurar a tanajura enquanto aquele menor abandonado encontrasse seu pai desnaturado e voltasse para resgatar o distinto objeto. Até hoje o miserável não voltou.

Não demorou muito para Benedito da Macuca mandar ver na sanfona, que, junto com a zabumba e o triângulo, formam a orquestra do Tanajura ao longo desses anos, embora já se tenha experimentado usar uma orquestra de metais, certa vez, coisa que pelo gosto de Arnaldo, outro organizador, jamais voltará a acontecer, em que pese a pressão de vários dirigentes e de boa parte dos seguidores da troça. Mas isto é coisa interna deles.

Começou a juntar gente, o povo se animando, a troça já saindo e nada do menino nem da minha turma. Eu sem conseguir mais ficar parado, doido pra cair no frevo sanfonado, não deu outra, assumi meu cargo de porta-tanajura e fui pro meio da folia, disputando com o porta-estardarte em termos de manobras e evoluções. Ah, seu eu te pego, menino desgraçado!

O cortejo já ia deixando a concentração quando meus amigos chegaram. Só então pude compartilhar o vexame da situação e o peso da alegoria, pois espontaneamente foi implantado um esquema de revezamento, ora carregando aquele troço, ora abastecendo de cerveja quem o estava carregando. E foi assim até o fim do desfile, quando, de volta à concentração, teve início a segunda e não menos festiva parte da folia, que é o forrozinho do imprensado, numa das mais disputadas fatias de sombra do carnaval olindense.

Outro fato digno de nota aconteceu nessa minha estréia como folião engajado em Olinda. Sabemos que as ladeiras ficam tomadas de gente no carnaval, principalmente no domingo, acho que por causa do Sala de Justiça. Pois bem. Nosso cortejo saiu garboso do pátio do mosteiro, resistiu bravamente aos primeiros acoites na praça em frente à prefeitura, desceu tranquilamente a ladeira de Pitombeiras, escapou ilesa do acocho da praça da Igreja de São Pedro, seguiu reinando pela Prudente de Morais, mas, quando chegou nos Quatro Cantos e inventou de subir a Ribeira, A Tanajura com Farinha foi esquartejada. Foi caco de tanajura pra tudo que é lugar. Alegoria pra um, estandarte pra outro. Sanfoneiro pra um canto, a zabumba não seu pra onde, o triângulo sumiu. Uns seguiram pela Rua de São Bento, outros pegaram o beco e foram pela Treze de Maio. Alguns voltaram por onde vieram e outros tomaram destino ignorado. Só um bom tempo depois foi que os sobreviventes se reencontram novamente ao lado da kombi, cada um fazendo seu relato de herói de guerra.

Da última vez que fui, estava sem meus pareias e, acabei não sendo um folião solitário, mas sim, solidário, protegendo o coração da nossa folia, a sanfona de Benedito, de uma chuva que queria estragar nossa festa. Para mim foi grande honra abrir mãos das tramelas, das tesouras e das dobradiças.

21 de março de 2010

Passos e Passadas: CAMINHADA DE DOMINGO


Foto copiada do site http://www.demetrioesculturas.com (autor ignorado)

Confesso que tenho dificuldade em incorporar alguma atividade física à minha rotina semanal. A exceção, até agora, têm sido as aulas de frevo nas tarde de sábado, no projeto Guerreiros do Passo, cujos integrantes , desde 2005, ocupam a Praça Tertuliano Feitosa, no bairro do Hipódromo, para ensinar, gratuitamente, os movimentos desta dança pernambucana, utilizando o método desenvolvido pelo mestre Nascimento do Passo, do qual a maioria foi aluno. É o frevo na praça o ano inteiro, com um pequeno recesso que vai do carnaval até a semana santa, quem ninguém é de ferro!

Enquanto elas não recomeçam, sigo buscando alternativas menos tediosas para o exercício regular deste corpo sedentário. A caminhada tem se mostrado a mais atraente das opções, desde que adotei a estratégia de escolher um cenário diferente a cada vez, só recorrendo à esteira como derradeiro recurso. Neste domingo, peguei o ônibus com a intenção de caminhar nas centenárias ruas do bairro do Recife, aproveitando a movimentação dos participantes da Corrida das Pontes. Devo esclarecer que, para fazer tal escolha, foi decisivo saber que na concentração dos corredores teria frevo com os passistas da Cia. de Dança Fênix, conforme informação precisa e preciosa da minha amiga Camylle. Mas fiquei só na vontade, porque, se teve frevo, ou eu cheguei tarde de mais ou foi por trás do enorme estrutura montada pela organização (passarelas, palco, área de apoio, cabines, etc).

Por conta do evento, o trânsito do centro do Recife estava caótico. Interditaram as ruas, mas não criaram roteiro alternativo, obrigando os veículos a ficarem esperando a passagem do último atleta. Assim, desci nas imediações da Faculdade de Direito e segui caminhando até o Marco Zero, contemplando o rio, a arquitetura neoclássica, as grafitagens de Derlon, e, o mais interessante, os personagens que surgem do acaso e dão alma às ruas da cidade.

Primeiro, ainda perto de casa, na frente da Delegacia de Casa Amarela, de um policial civil em prosa provavelmente com o delegado ou algum superior seu, que trazia o revólver na cintura, ouvi apenas um fragmento da conversa que ficou impresso na minha memória. Ignoro o assunto tratado, mas achei interessante quando escutei o agente dizer: “... a pessoa pode estar querendo contemplar a paisagem ou ter um pensamento elucubrativo...” Pensamento elucubrativo às oito e meia da manhã, no meio da rua, foi, no mínimo, hilário e um sinal de que o dia estava só começando.

Segunda cena: Na ponte Princesa Isabel eu caminhava seguindo o fluxo dos corredores. Um deles roubou-me a atenção pelo seu jeito espirituoso e gaiato. Um senhor, já sexagenário, que vez por outra gritava:
- Tá pensando que corrida é priquito? Corrida né priquito, não.

Após repetir algumas vezes, completou:

- Corrida é pau!Disse isso e disparou na carreira, ganhando o oco do mundo. Em segundos já estava lá perto do Teatro Santa Isabel, e eu segui na mesma maciota de antes.

Terceira cena: A organização da corrida, dando um toque regional ao evento, colocou duplas de caboclos de lança em alguns pontos estratégicos da passagem dos atletas. Mas as figuras não entraram bem no clima e mais pareciam estátuas que brincantes. O máximo que eu vi de um deles foi posar para uma foto com alguns turistas. Por isso entendi quando um dos corredores ao passar por um deles gritou provocativo:
- Balança o chocalho, caboco!
Mas até onde pude ver, o grito entrou por um ouvido e saiu pelo outro, e a maquinada do folgazão continuou silente.

Última cena: Já deixando o Recife Antigo, ouvi uma das corredoras perguntar à colega de prova o nome do poeta homenageado naquela estátua no meio do passeio da ponte Maurício de Nassau. Diante do silêncio da amiga, um pescador solícito se apressou em dizer que era do conhecido conde holandês que dava nome à ponte. Ato contínuo, sem muita convicção do que havia dito, buscou a confirmação do seu companheiro de pescaria, que confessou não saber de quem se tratava, mas foi bem incisivo dizendo que não era Nassau, pois este foi um príncipe. Sai de lá com dor de consciência por não ter revelado aos quatro personagens que se tratava de grande Augusto dos Anjos, um dos doze ícones da poesia pernambucana homenageados no projeto Circuito dos Poetas, executado pelo artista plástico Demétrio Albuquerque. Ainda bem que não fiz isso, porque não prestei atenção à escultura e nem tive o cuidado de ler a placa de identificação, e só, mais tarde, através do professor Google é que descobri que, na verdade, não se tratava do poeta do Eu, mas sim do recifense Joaquim Cardoso.


É O XERÉM TRITURADO DA SAUDADE/ NO ANGU REQUENTADO DA ILUSÃO.

Duas estrofes como exercício para um mote que vi glosado por Jessier Quirino:

É o desejo querendo ser real
É vontade buscando ser de vera
É verão cortejando a primavera
É um amor que só dura um carnaval
É sereno, é chuvisco, é temporal
É namoro curtido no portão
É olhar que penetra o coração
E se esconde por trás de uma amizade
É O XERÉM TRITURADO DA SAUDADE
NO ANGU REQUENTADO DA ILUSÃO.

É a voz do querer dizendo vem
É o receio do nada e que diz: - para!
Esperança que arma uma coivara
Faz o fogo arder sob o moquém
É a viagem do sonho que não tem
Compromisso nenhum com a razão
É a força indomável da paixão
Que se instala com toda liberdade
É O XERÉM TRITURADO DA SAUDADE
NO ANGU REQUENTADO DA ILUSÃO.

Recife, 18 de março de 2010.
Honório.

19 de outubro de 2009

Lembrei novamente que tenho um blog e, sem inspiração, deixo apenas algumas anotações avulsas sobre as experiêrncias vividas nos últimos dias...
... Sábado passado (17-10) estive em mais uma capital nordestina: Aracaju-SE. Cheguei de madrugada e retornei no meio da tarde, tempo apenas suficiente para cumprir minha missão de palestrante, conhecer gente boa do meio cultural (principalmente da cena musical), fazer novos amigos e me deliciar com uma apetitosa moqueca mista, antecedida e acompanhada de alguns copos de Skol geladinha que só. Valeu, Thalles, pela oportunidade.

... Nesta quarta-feira, dia 21.10, um grupo de estudantes do município de Japurá-PR , sob o comando da Porfª Maria Costa, encenará o meu cordel "Sidrião e Maristela ou A Goiaba da Discórdia, dentro da programação do FERA COM CIÊNCIA 2009, evento que acontece de 19 a 23.10, na cidade de Cianorte e é realizado pela Secretaria de Educação do Estado, envolvendo alunos e professores de alunos de escolas de 11 municípios do noroeste paranaense, num público total de 1.250 participantes, ematividades de artes, música, dança, teatro, esportes, brinquedos, brincadeiras, ginásticas, lutas, jogos, cultura regional, artes visuais, história e memória, além de fóruns de estudo e discussões. Leia mais

... Cordel com toda força neste mês de outubro. Primeiro, mais uma vez marcou forte presença na Bienal do Livro de PE, onde inegavelmente o estande da Unicordel foi o mais visitado dentre os que ofereciam folhetos. Passada a bienal, chega a vez da Semana da Ciência e Tecnologia, onde a Unicordel terá intensa participação nas atividades que serão realizadas nos dias 20 e 21, no hall do Centro de Convenções da UFPE, sob o comando da Profª Cida Nogueira.

... Preciso equalizar melhor meus neurônios para não ficar nessa crise de esterilidade poética. Começo rabiscando uns versos, mas quase sempre acabo é centrando minha atenção a elaboração de projetos, relatórios e informes. Doideira isso. A burocracia detonando a arte. Gosto disso não!

16 de agosto de 2009

Semente que vira fruto

O verso nem sempre vem
Manso, domado, contido
Às vezes só chega arisco
Sugerindo outro sentido
A mensagem se refaz
Perante a rima voraz
Deixa o poeta aturdido.

A poesia é a essência
Um estado puro e bruto
É por meio das palavras
Semente que vira fruto
Toma forma de poema
Dá solução ao problema
Assumindo outro atributo.

O metro não sendo algoz
Mas um recurso excelente
Constrói com rimas o ritmo
E estando este presente
Dá beleza e encantamento
Forte, fraco, rápido, lento
Conforme a voz que o invente.

E com palavras e seus sons
Molda-se divina massa
Que se entrega ao poeta
A qualquer hora e de graça
Amante pronta pro gozo
E ele sendo caprichoso
Com ela não se embaraça.

Se castiço ou desbocado
Se laudatório ou ferino
O poema faz seu rumo
Desenha o próprio destino
Nele havendo poesia
Peita toda hipocrisia
Vira oração, vira hino.

Ora vindo de veneta
Como o que se improvisa
Ora painel de azulejos
Justaposição precisa
Pedra assentada com calma
Onde argamassa é a alma
Que na arte se eterniza.

Recife, 16 de agosto de 2009.

9 de agosto de 2009

Versos para o Dia dos Pais

Meu amigo Felipe Júnior, cordelista e editor da Cactus Cordelaria, convidou a mim e a outros poetas para glosarem o mote NÃO QUERO O DIA DOS PAIS/SEM TER PAPAI AO MEU LADO, a fim de compor um cordel coletivo. Não é bem minha praia escrever sobre temas como este sugerido pelo mote, mas como não cabe recusa a pedido de amigo, sai pra minha caminhada dominical (a única da semana, por enquanto) esperando dar na veneta algum estalo de verso sobre o assunto. Ainda no elevador, veio-me o impulso de assumir o poeta fingidor e dar voz a algum "filho de mãe sem pai". Segui pelas ruas do bairro driblando os buracos das calçadas, os cocôs dos cachorros e até uma inesperada faixa de anúncio de venda de imóvel fixada com arame entre dois postes numa "altura tão baixa" que fui obrigado a me curvar para não dar de caracom tão inadmissível obstáculo. Entre uma passada e outra, os versos iam se interligando e guardados na cachola, para depois serem transplantados para o computador.

Já no retorno, passei em frente à Casa de Repouso São Francisco, onde vi, próximo ao portão, três velhinhos conversando, e próximo à entrada, um carro estacionando de onde saiu uma mulher com um pequeno bolo, que, de imediato, imaginei ser para um dos hóspedes estalecimento. Ato contínuo, veio-me mais uma maneira de explorar o mote que nos foi dado, e assim, sem muito esforço, consegui atender à demanda do Felipe e lhe enviei as seguintes estrofes:

GLOSA 1:
Foi grande a sua omissão
Da minha vida um ausente
Jamais me deu um presente
Nem mesmo me deu lição
Qual o seu nome? – Sei não!
Nunca me foi revelado
Porém se eu fosse informado
Onde ele está, ia atrás
RUIM NO DIA DOS PAIS
NÃO TER MEU PAPAI DE LADO.

GLOSA 2:
Por causa do meu estilo
De viver na correria
Achei que melhor faria
Mandar papai pro asilo
Aqui eu vivo tranqüilo
Ele lá é bem cuidado
Todo ano é visitado
E ganha mimos demais
NÃO PASSO UM DIA DOS PAIS
SEM TER PAPAI DO MEU LADO.

28 de julho de 2009

De Garanhuns a rios e Pontes


Paulo Moura declamando no palco Cuiltura Popular - FIG 2009 (Garanhuns-PE)

Cumprida a missão de levar a Unicordel ao Festival de Inverno de Garanhuns, onde estivemos com estande no Pavilhão de Artesanato, recital no palco Cultura Popular (Av. Santo Antônio) e participação no recital aberto da Casa da Palavra (Avenida Santa Rosa), consigo relaxar e mexer novamente com os versos.

Através do orkut, a pesquisadora Bethânia Pontes fez contato comigo (por sugestão da minha amiga Lina Fernandes-Rádio Folha) pedindo versos que tratassem de águas e/ou rios, para ilustrar um trabalho seu sobre o Rio Paratibe. De imediato, apresentar-lhe alguns cordéis que conheço sobre tais temas, escritos pelos amigos Altair Leal, Ismael Gaião e Isabel Lima, além de alguns versos que fiz para o Rio Capibaribe, apresentados no 24/11/08, lá no Capibar, no Dia do Rio. Achei pouco e acabei fazendo também algumas estrofes para o rio objeto de sua pesquisa. Ei-las:

Pirá ty pe ou Paratibe

São os nomes aplicados

Ao “rio das águas claras

E dos peixes prateados

Expressões que do tupi

Vieram, conforme eu li

Em textos me apresentados.

Mas é dos tempos passados

Água assim tão cristalina

Porque a poluição

Com sua força ferina

Lhe golpeia tão feroz

Agride de forma atroz

Qual raio da silibrina.


É no Riacho da Mina

Que se dá sua nascente

Com o Riacho do Boi

Se encontra mais a frente

Vira então o Paratibe

Deixando Camaragibe

Segue seu curso indolente.


No entanto, infelizmente

O tal curso é um calvário

Vai se enchendo de dejetos

Da nascente ao estuário

Se poluído não fosse

Ao juntar-se com o Rio Doce

Seria extraordinário.

(26/07/09).

Concluindo, para celebrar a conquista de uma nova amiga, escrevi mais uma estrofe brincando com o seu sobrenome:

Muito improvável existir
quem seja mais indicado
para falar sobre RIOS
desse jeito apaixonado
do que alugém que já tem PONTES
desde que foi batizado.







3 de julho de 2009

Unicordel na Fenearte 2009

Estande da Unicordel, da direita para a esquerda: Presidente da AD-DIPER,
Jenner Guimarães; presidente da Unicordel, José Honório; e as primeiras-
damas, Regina Terezinha e Aparecida França.

03 de julho. Primeiro dia da X Fenearte-Feira Nacional de Negócios do Artesanato. Todo desgaste compensado. O estande ficou bonito, o povo passando e dizendo: - Eita, cordel!
Como previsto, os folhetos sobre Michael Jackson fazendo o maior sucesso. Por enquanto, temos os de Altair Leal e de Marcelo Soares. Mas daqui pro fim da feira vão aparecer mais.

Muita gente visitando nosso espaço. Tivemos a presença do cordelista Dodó Félix, de Belo Jardim, dentre outros poetas. Lá estiveram presentes também Jenner Guimarães e esposa, e a rainha do forró e ai , a cantora Irah Caldeira.
Da direita para a esquerda: Aparecida França, José Honório,
Irah Caldeira, Cícero Lins e Altair Leal.


28 de junho de 2009

Poesia Popular no São João 2009.


Poeta Ismael Gaião declamando no Arraial do Cordel (Recife-PE)


Recife, Olinda, Caruaru e Arcoverde incluíram poetas na programação oficial. A Academia Caruaruense de Literatura de Cordel fez bonito no pólo Cultura do Repente. A Unicordel mandou ver com o Arraial do Cordel. O Quartas Literárias de Olinda levou pro coreto da Praça da Abolição (ou da Preguiça, como é conhecida) poetas da tradição e urbanos. Também no Recife, poetas declamaram nos principais pólos juninos: Sítio da Trindade, Pátio de São Pedro e Praça do Arsenal.
É a poesia popular se esparramando mundo afora, conquistando espaços e se afirmando por sua força, beleza e encantamento.
Isso é só o começo.

22 de março de 2009

Cordel: Um forasteiro no carnaval de Olinda



A convite de Rodrigo
Um primo muito legal
Viajei quase três horas
Com destino à capital
Para ir até Olinda
Conhecer seu carnaval.

No Sábado de Zé Pereira
(Lá se diz Sábado do Galo)
Cheguei bem cedo no TIP
E fiquei a esperá-lo
E andei tanto lhe esperando
Que no pé ganhei um calo.

Quando o primo apareceu
Já chegou agoniado
Dizendo: - vamos, se avexe
Que a gente está atrasado
O Galo está já saindo
- Eita folião danado!

E ele tinha razão
O galo não demorou
É que na pressa, meu primo
Num batente tropeçou
Bateu com a testa no chão
E nela um galo ganhou.

Nós seguimos de metrô
Para o centro da cidade
Os vagões foram se enchendo
De foliões de verdade
Para chegar lá no Galo
Era grande a ansiedade.

Tinha gente pra dedéu
Em tudo quanto é lugar
Tinha até dentro do rio
Você pode acreditar
Nas ruas, um imprensado
No céu, um sol de lascar.

Já perto das duas horas
O Galo fervia ainda
Então meu primo Rodrigo
Encontrou-se com Lucinda
Que chamou a gente para
Ir brincar lá em Olinda.

E do Galo pra Olinda
Seguimos num desadouro
Lucinda deixou o carro
Lá perto do Giradouro
A essa altura meu calo
Já tinha largado o couro.

Andamos quase uma légua
Para chegar na folia
E eu já de pernas bambas
Sem carga na bateria
Mas depois de um retetéu
Recobrei a energia.

Subi e desci ladeira
Sem tá pagando promessa
Muitas vezes não sabia
Se ía por essa ou essa
Mas seja qual fosse a escolha
Sempre tinha gente à beça.

Para cortar o caminho
Entre becos me joguei
Mas com o fedor de mijo
Até mal quase passei
Ô imundície da gota!
Por pouco não vomitei.

Segui o Boi da Macuca
Com Benedito no fole
A essas alturas eu
Já estava todo mole
Pois cada latinha era
Tomada de um só gole.

Quando passou Flor da Lira
Eu quase me desmantelo
Inventei de dar em cima
Da garota do flabelo
Mas seu noivo chegou junto
E eu quase fiquei banguelo.

Na Rua Treze de Maio
Não há quem faça uma ideia
Era tanto frango junto
Tal qual abelha em colmeia
Tinha mais frango do que
A Granja da Mauriceia.

E ainda nessa rua
Encontrei turma animada
Tinha quase dez mulheres
Cada qual mais arrumada
Vendo o harém, disse: “ô
Vida boa, aperriada!”

Ao menos uma eu agarro
Disse com convicação
Mas logo vi que ali
Não era para mim não
Pois descobri que as doidas
Eram tudo sapatão.

Às vezes pensava estar
Em Sodoma ou em Gomorra
Ao ver o “Segurucu”
Ou “Diz que Me Ama, Porra!”
Quem não agüentar rojão
Pra bem longe deles corra.

Corra também do Patusco
Se afaste do D´Breck
Se duvidar do que digo
Com os próprios olhos cheque
Fuja de lá se benzendo
Ou também vire moleque.

Porque a troça é Ceroula
Descobri naquele dia
Pois entrei no rugerruge
Vestido, mas na agonia
Eu saí só com a cueca
Mesmo assim quase a perdia.

Faltou chão e faltou fôlego
Cheguei até flutuar
Quando chegou no Amparo
Fiquei suspenso no ar
Juro que pensei que o mundo
Estava pra se acabar.

Lá na Bodega de Véio
Eu jantei pão com salame
Só pensando no cuscuz
Em macaxeira e inhame
Mas primo disse:- encha o bucho
Lamba o beiço e não reclame

Tudo isso foi fichinha
É verdade, meu amigo
Porque lá nos Quatro Cantos
Enfrentei maior perigo
É que o Tarado da Sé
Quase acabava comigo.

Lá ia eu todo ancho
Dentro da troça animada
Quando o boneco girou
E me deu uma mãozada
Que eu fiquei zonzo, zonzo
Com aquela chapuletada.

Anoiteceu e então
Pensei que teria fim
Esta cruel maratona
Mas Rodrigo disse assim:
Vamos lá pro Guadalupe
Pra saída do Alafim.

E depois do Alafim
Sonhava eu com a pernoite
Mas fomos pro Bonsucesso
Enfrentar um novo açoite
Na saída do boneco
O Homem da Meia Noite.

A Cidade Alta inteira
Num só dia eu conheci
E já nascendo o domingo
Alegrei-me quando eu vi
Rodrigo entregar os pontos
Na sede do Cariri.

Mais de cinco da manhã
Foi que em casa chegamos
Depois de tanta folia
Rodrigo e eu apagamos
Às onze horas, o primo
Acordou dizendo: - Vamos?

- Vamos pra onde, sujeito
Será que dei na mãe minha?
Disse ele: - pra Olinda
Nossa turma está todinha
Nos esperando na troça
Tanajura com Farinha.

É capaz de já estarem
No Mosteiro de São Bento
Respondi-lhe: - Pode ir
Outra dessa eu não agüento
Vou ficar aqui sozinho
Nas pernas passando ungüento.

Quando passou o cansaço
Pra meu lugar eu voltei
O resto do carnaval
Só descansando passei
Ouvindo “pa-pa-pa-pa...”
Por muitos dias fiquei.

E agora, tempos depois
Lembranças chegam na mente
Desse carnaval tão louco
Tão típico, tão diferente
Que por mim não vou perder
Mais nenhum daqui pra frente.

FIM

Fevereiro/2009

Frevo e bolero




Nos últimos dias vinha tentando exercitar a estrutura do decassílabo e uma temática mais engajada, porém o esforço tem sido em vão, ficando as estrofes incompletas, as idéias presas na mente e os versos com pés quebrados.

Neste sábado, numa atitude desesperada, armei um cenário que julguei favorável à inspiração: liguei o som, peguei uma latinha de cerveja, liguei o micro, mas... nada.

Vez por outra um verso saindo capenga, mas nada de proveito. Inconformado com esta letargia, acabei escrevendo um desabafo neste metapoema:


Nesta tarde me quero assim recluso

Só entregue ao meu copo e aos meus discos

Absorto teclando os meus rabiscos

Cada qual mais disperso e mais confuso

Minha mente embotada por desuso

Não comunga os versos como eu quero

Para frente e pra trás, num lerolero

Sem ter rumo, sem base, sem relevo

Como quem se esforça em dançar frevo

Com alguém que só quer dançar bolero.


15 de novembro de 2008

Rompendo o "silêncio"...



Eu já sabia que ia ser díficil manter uma frequência de postagem neste blog, mas não esperava que fosse ser tão relapso assim.

Parece que ainda vai ficar assim hoje, porque não está vindo idéia alguma pra comentar aqui.
Ah, apareceu! Cordel e mídia!

Este tema chegou agora ao lembrar que nesta semana fui procurado por quatro diferentes veículos informativos com interesse na poesia popular nordestina: 1º- O Programa Papo de Boteco, que exibirá neste sábado, dia 15/11, na TV Nova (Canal 22) uma entrevista comigo, Susana Morais e Vinícius Gregório; 2º- A Revista Lupa, produzida pelos alunos da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA); que me entrevistou por email; 3º - Por email também fui entrevistado para o jornal eletrônico da Associação dos Funcionários do BNB (AFBNB); 4º- A TV Viva buscou a minha intervenção para arregimentar uma tropa de cordelistas para gravar vinhetas para uma série de programas musicais a ser exibida em nivel nacional.

Talvez seja pressunção minha ou ingeunidade, mas penso que tais fatos não aconteciam com tamanha frequência e amplitude, representando assim, um novo momento, favorável e promissor, também ao cordel, como, de resto, vem acontecendo com outras expressões da cultura popular.

Uma nova geração está aí antenada e receptiva ao que de tradicional e atávico resiste ao rolo compressor das culturas de massa. Algo me diz que a minha geração foi apática neste sentido. O que vinha do povo pouco era mostrado, e quando assim era feito, tratado como exótico, "folclórico", coisa do passado, de museu, de gente analfabeta e ignorante. Nos meus anos de escola nunca ouvi falar de cordel ou de repentista. Nos livro didáticos nenhuma referências aos ícones da poesia popular (se bem que até hoje esse débito ainda existe. O que já se vê são algumas raras citações, registro de sua existência, mas nada que mostre a sua relevância como elemento da nossa formação cultural).

Mas o futuro é promissor. Acabo de tomar conhecimento que o Ministério da Educação (através do Programa Nacional de Biblioteca Escolar-PNBE) incluiu cinco cordéis entre as obras indicadas. Ei-los: 1-A Ambição de Macbeth (Arievaldo Viana); 2- A Megera Domada (Marco Haurelio); 3- Os Miseráveis (Klévisson Viana); 4- O Corcunda de Notre Dame (João Gomes de Sá); e 5- O Mundo do Cordel (Moreira de Acopiara).

Parabéns aos poetas contemplados! Vamos divulgar essa ação para que novos títulos sejam incluídos nas próximas edições.

31 de julho de 2008

Pra não passar batido!

Mês de julho está terminando e nenhuma postagem até agora. Desculpas teria várias. Nenhuma muito convincente. Melhor confessar que relaxei e deixei o blogue em segundo plano esses dias. E os versos também. Estive envolvido com as ações da Unicordel na Fenearte, na Festa de Taquaritinga e no Festival de Inverno de Garanhuns. O pré, o durante e o depois. Andei também cuidando do meu sítio aqui na internet, que deverá ser inaugurado nos próximos dias.
Versos novos, quase nenhum. Acho que só uma setilha que fiz tirando onda com minha grande amiga e pareia, Susana Morais, cordelista de primeira e agora economiária. Dediquei-lhe estes irônicos versos, que brincadeira à parte, representam a alegria compartilhada por essa sua nova conquista, a convocação para a Caixa Econômica Federal. Ei-los:

Susana vai para a Caixa
Nossa alegria eu não nego
Para parabenizá-la
nestes meus versos me apego
Eu que pensava que ela
Só iria à caixa-prego.

(Versos "feitos nas coxas" e declamados durante a farra bebemorativa do seu novo emprego)